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  • 18/05/2016
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Representando o profissional de áudio Brasileiro em Los Angeles.


Tivemos a honra de conversar com Flávio Góis, um competente profissional que foi à Los Angeles e hoje é reconhecido e respeitado no mercado mais importante do entretenimento mundial, aonde glamurosas produções são feitas e muitas delas entram para a história, é com orgulho que apresentamos esse brasileiro que representa muito bem nosso nome no cenário internacional.

Audio Brazil:

Gostaríamos de saber, como foi seu interesse pela música e pelo áudio, como começou sua carreira, e como foi parar em Los Angeles?

Flávio Góis:

Desde pequeno, sempre gostei… Sou músico desde criança, sempre tive banda juntamente com meus irmãos e sempre fui ligado a estúdios, aí comecei a estudar e não parei mais, acho que foi a profissão que me escolheu. Iniciei minha carreira com 17 anos no show de Sandy e Jr., depois de lá me apaixonei pelo trabalho e decidi levar como profissão e estou nessa até hoje.
Vir para L.A sempre foi um sonho de criança, algo inexplicável, aqui é onde tudo acontece, cinema, música e todo tipo de entretenimento, sempre sonhei com algo grande, e alguns dos meus trabalhos já tinham rodado o mundo, tendo reconhecimento nos EUA e Europa, e isso fez a minha vontade de morar em Los Angeles maior, deixando apenas de ser sonho e se tornando realidade.

Audio Brazil:

Qual sua visão atual do mercado fonográfico de Los Angeles, e qual a relação do mercado daí com o resto mundo, incluindo o mercado brasileiro?!

Flávio Góis:

Aqui a coisa é maior e mais profissional, tudo acontece em proporções gigantescas, sempre tenho que está preparado para tudo, uma música fica pronta hoje e no dia seguinte pode tocar no mundo todo, o nível é muito alto e me ensinou muita coisa.
A pirataria é o maior mal para o mercado mundial, acho que é uma questão de consciência social, difícil de combater, e no mercado brasileiro é muito regional no meu ponto de vista, existe um bloqueio de regiões, na maioria dos casos, salvo algumas exceções, o que toca no nordeste não chega no sul e vice e versa, sem contar o monopólio das rádios e gravadoras, se o artista não tem um selo atrás ou algum investidor forte, não toca nas rádios, isso tem que mudar e mais algumas outras coisas também, sendo complexo o problema em si.

Audio Brazil:

Qual é a principal diferença nas técnicas de gravação que você usava ou conhecia aqui e as que se usa em LA?

Flávio Góis:

Eu continuo com as mesmas manias e hábitos quando gravo, apenas aprendo muito com outros engenheiros, assistentes ou estagiários, pois cada um tem um pouco a acrescentar dia após dia, algumas técnicas de microfonação que sempre usei a vida toda são meus segredos para uma gravação de qualidade e alguns outros truques também…No Brasil eu tinha base apenas no que via e ouvia de todos, ou lendo revistas especializadas, aqui é diferente, tem sempre alguém que sabe mais, e eu sempre aprendo algo, a informação é mais acessível, não dá pra falar que algo não é bom ou não funciona sem testar para saber, não tem como provar na teoria tem que comprovar na prática.

Audio Brazil:

Por que há uma diferença de qualidade tão grande entre as gravações feitas no Brasil e as americanas e européias?
Flávio Góis:

Talvez pelo acesso a tecnologia e equipamento, porque no Brasil o custo é muito alto e desleal, porém, a falta de informação para mim é o maior fator na qualidade final. Existem vários profissionais no Brasil de alto nível, mas tem muita gente que não sabe o que está fazendo, apenas tem uma placa e grava, aí se nivelam por baixo e com muita baixa qualidade, todo mundo copia todo mundo (sem generalizar obviamente), e quando alguém cria ou usa uma técnica diferente acaba se destacando.
No Brasil, já percebi que as músicas são mais “polidas”, o som q toca nas rádios é “filtrado”, aqui é mais porrada, eles não tem medo de clipar os VUs e nem de inventar
algo novo.

Audio Brazil:

Qual seria sua principal dica para elevar o padrão de qualidade no áudio brasileiro?

Flávio Góis:

Resposta difícil, porque é complicado falar sem estar aí, mas acredito que tem que estudar, ter referências ouvir de tudo e trabalhar com qualquer tipo de cliente ou situação sem discriminação,o que acontece em muitos casos é o cara que grava rock não grava pagode, música eletrônica ou axé e vice e versa, assim fica difícil, tem frequências, equipamentos ou truques que só se aprende fazendo. Faltam escolas e cursos profissionalizantes, sei que existem vários (não tantos como aqui), mas ainda acho que falta algum tipo de incentivo do Governo ou do Estado, outro ponto que acho importante é a tecnologia, temos que estar atento e sempre pensar para frente, é importante colocar informações mais acessíveis para todos, dando espaço para gente nova.

Audio Brazil:

O que de mais interessante você conseguiu assimilar nesses anos trabalhando aí, e quais os fatos que mais marcaram sua vida profissional nesse tempo?!

Flávio Góis:

 
Aprendi a trabalhar de verdade, gravar e tirar o melhor dos equipamentos e instrumentos, não só jogando a responsabilidade no músico, esse papo de; “O músico tem que ter pegada”é conversa, nunca vou jogar a responsabilidade para o cliente, a qualidade depende de mim. Aprendi que todo cliente tem potencial, não existe famosos dentro do estúdio, existem apenas clientes que merecem ser respeitados, um trabalho bem feito só reflete a mim, tive situações incríveis que aprendi muito como trocar várias vezes as cordas da guitarra por números e marcas diferentes e entender realmente que existe a diferença de timbre, ou coisas simples como microfonar corretamente uma caixa ou amplificador pra não precisar equalizar depois de gravado, ou aprender a mixar só com equalizador e compressor sem aplicar nenhum plug-in ou replacement. O fato que mais marcou a minha vida profissional foi que, em alguns anos aqui tive mais respeito como profissional do que uma vida toda no Brasil, outro fato importante foi participar de projetos de alguns artistas que passei a vida admirando como Snoop Dogg, Alice in Chains, Matt Sorum, Duff Mckagan, Zakk Wylde, Slash e outros.

Audio Brazil:

Muitos artistas brasileiros vão à Los Angeles para produzirem seus trabalhos, em sua opinião, o porque isso acontece?! Como poderíamos fortalecer o mercado nacional?!

Flávio Góis:
Acredito que seja pela tecnologia e pelos profissionais envolvidos no projeto, no Brasil, para se gravar num estúdio top com um renomado produtor ou engenheiro você paga o mesmo que paga fora, alguns não querem ser interrompidos, preferem mais privacidade, ou simplesmente querem férias, porque eles saem, se divertem e também gravam, aqui eles não são famosos ou artistas, são clientes que estão pra fazer o melhor trabalho possível, e isso é a nossa prioridade, fazer o melhor, não importa quem seja ou quanto custe.
Penso que para fortalecer o mercado temos que ter credibilidade, e isso EUA e Europa estão na frente.

Audio Brazil:

Como é visto o profissional de áudio brasileiro aí?! Você foi bem recebido?

Flávio Góis:
Na verdade quem sabe fazer um bom trabalho é sempre apreciado, ser Brasileiro é motivo de orgulho, todos gostam da alegria do nosso povo, sempre fui bem tratado aqui, me sinto em casa.

Audio Brazil:

O que considera fundamental para uma carreira sólida dentro do áudio, e o que você acha que devemos tomar como providência inicial para o nosso mercado aqui?!

Flávio Góis:

No Brasil para você ter uma carreira sólida basta você mostrar bons trabalhos, não ter discriminação por qualquer estilo musical, estudar sempre, gostar de tecnologia e ter bom gosto. Como providência inicial temos que nos adaptar ao mercado de hoje que está mais virtual e dinâmico.

Audio Brazil:
Fale um pouco sobre o modo que trabalha aí, e o que acha prioritário no processo de produção em Los Angeles?!

Flávio Góis:

Inicialmente preciso saber o q o cliente quer, qual o foco maior na produção, porque cada projeto é único e tem q pensar como um todo, muita gente pensa em custos e tempo e não em qualidade e satisfação do cliente, devemos ser transparentes e tentar fazer o melhor pelo cliente e não pelo estilo. Penso também de forma antecipada, tento visualisar o pós lançamento do projeto, porque algo que estou fazendo agora pode ser interessante, porém, amanhã pode ser velho, então tenho que pensar sempre a frente do tempo.

Audio Brazil:
Sabemos que além do áudio, você participa ativamente do music bussiness daí, como é para você essa experiência nesse tipo de trabalho?! Sabemos também que faz pesquisas ligadas ao futuro do mercado de mídias usadas, qual é projeção feita para os próximos anos em relação á isso?!

Flávio Góis:

Eu atuo em várias atividades, trabalho também numa televisão como diretor de desenvolvimento e com social media, acho que o mercado será virtual daqui alguns anos, acredito que no futuro o CD terá o mesmo destino dos tapes, que só servem como registro, assim sendo, ninguém vai querer comprar, servirá apenas fins de armazenamento. O LP está voltando como uma obra de arte, que você compra e guarda para sempre, como é feito por colecionadores, coisa que não está mais acontecendo com os CDs, o mundo está virtual, MP3 e ringtones dominam o mercado, você pode divulgar sua banda para o mundo sem precisar ter uma gravadora ou distribuidora, simplesmente fazendo um vídeo com sua câmera handcam ou celular e publicando, e assim, ter mais retorno que em shows. O mercado está mudando drásticamente, as TVs estão perdendo audiência, de janeiro até setembro de 2010 cresceu em 600% o número de acessos em sites como Youtube, Vimeo, Hulu, livestream e outros, isso prova que temos opção, esse é um tema interessante que podemos debater em uma próxima vez, já que estou concluindo minha tese sobre esse tema.

Lista de alguns artistas com quem Flávio Góis já trabalhou em Los Angeles:

Snoop Dogg, Alice in Chains, Matt Sorum, Duff Mckagan, Zakk Wylde, Slash, Steve Vai, Hudson, Pepeu Gomes, Angra, Alanis Morissette, Ricky Martin, Bob Dylan, C.J. Ramone entre outros…